
Minha cabeça ainda lateja um pouco, mas o que mais incomoda é o estômago que ainda não se decidiu em que parte do meu corpo ele quer ficar. É a ressaca mais longa que tive em minha curta vida. Mas, como eu e a Dani concordamos: nós nunca teremos bebido o suficiente. Porém, não é este o motivo deste post, mas sim a realização de algo que estou planejando a certo tempo, mas que sempre deixo para o fim de semana seguinte. Mas de hoje não passa: Vou migrar de OS (Operational System - Sistema Operacional). Adeus Microsoft Windows e seu Reino das Patentes e Copyright. Seja bem-vindo Linux e o Universo do Código Livre!
O Melhor da Vida é Grátis
A decisão foi tomada dia 17 de abril e a postei no Twitter. Eu havia me dado um prazo de 1 mês para efetuar a migração, mas não cumpri meu próprio prazo. Honestamente, mudar de OS não é uma coisa tão simples assim, ainda mais quando fomos todos criados e condicionados em Windows. Houve um tempo em que pensei que a única diferença entre PC e Mac era que um rodava Windows e o outro rodava algo que não era Windows - e aposto que muita gente pensa isso até hoje! O frio na barriga é grande, mas os motivos para mudar são maiores ainda. O primeiro, e mais óbvio, é: Por que pagar por algo que se pode ter de graça? A resposta imediata também é óbvia: Porque algo gratuito nunca terá a mesma qualidade de algo que é simplesmente “dado”. Não é verdade?
Em muitos casos, temos que acreditar que sim. Mas, quanto é que a sua mãe cobra pelo jantar? E você vai dizer que prefere um jantar em um restaurante caríssimo à comida feita em casa? O motivo disso é bem simples: tudo o que é feito com amor é melhor e mais gostoso. Existe uma terminologia muito indevida que separa o que é bom do que não é. Ela chama de profissional tudo aquilo que é de boa qualidade e de amador tudo o que não é. Não consigo enxergar maior erro. O Profissional faz algo porque é seu dever fazê-lo, não porque é aquilo que ele quer fazer. Profissional é acordar cedo, tomar banho e bater cartão. O Amador faz o que ama porque acredita nisso, porque isso é o que o instiga, o que o move, o que o leva para frente. Somente em um mundo de lógicas distorcidas e contraditórias como o nosso é que o Amador é inferior ao Profissional. Mas o mundo está mudando e a Revolução não será televisionada, mas poderá ser assistida pelo You Tube. O Linux é prova de que a Amador é mais bem sucedido que o Profissional. Não digo que ninguém ganha dinheiro com o Linux, pois muita gente “vive” de Linux, mas é a idéia por trás, a filosofia que diz que todo o conhecimento deve ser compartilhado, é que faz toda a diferença.
Linux, Copyleft e Código-Livre
Para quem não sabe, o Linux é um Sistema Operacional construído com seu código fonte aberto para todos que estiverem interessados nele. O código fonte é o genoma de um software. Ele é construído através de texto e, quem tiver a curiosidade de ver um código fonte, pode clicar com o mouse sobre esta tela e selecionar a opção “Código-Fonte” (ou “Exibir Código-Fonte”, pra quem utiliza o Internet Explorer ainda). Isso significa que você é livre para lê-lo, compreendê-lo, modificá-lo e até distribuí-lo. Sendo assim, hoje em dia existem dezenas de distribuições Linux, cada uma com suas qualidades e peculiaridades. E o mundo do software livre começa assim: milhares de escolhas a serem feitas. Sim, existe também a necessidade de se aprofundar um pouco mais em alguns conceitos que não nos era significante até então. Mas isso, acredito eu, é parte integrante de todo processo de amadurecimento. Quem se importava com a política internacional quando tinha 6 anos? Em contrapartida, o Windows é um Sistema Operacional cujo código é propriedade da Microsoft e não pode ser conhecido por ninguém sem a autorização da mesma. Modificá-lo então, jamais! Isso pode parecer besteira de início, mas: o que você acharia de comprar um carro cujo capô está soldado ao chassi, não permitindo que você tenha acesso ao seu motor?
O próprio Linux somente foi possível devido a disponibilização do código fonte de outro Sistema Operacional, o UNIX. Manuel Castells (2003) resume a história do Linux:
Em 1984, Richard Stallman, programador no Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, numa reação à decisão da AT&T de reivindicar direitos de propriedade sobre o UNIX, lançou a Free Software Foundation, propondo a substituição do copyright pelo que chamou de ”copyleft”. Por ”copyleft”, entendia-se que qualquer pessoa que usasse um software gratuito deveria, em retribuição, distribuir pela Net o código daquele software aperfeiçoado. Stallman criou um sistema operacional, o GNU, como alternativa ao UNIX, e o tornou disponível na Net sobre uma licença que permitia seu uso, desde que respeitada a cláusula do copyleft.
Em 1991, pondo esse principio em prática, Linus Torvalds, um estudante de 22 anos da Universidade de Helsinki, desenvolveu um novo sistema operacional baseado no UNIX, chamado Linux, e o distribuiu gratuitamente pela Internet, pedindo aos usuários que o aperfeiçoassem e enviassem os resultados obtidos de volta para a Net. O resultado dessa iniciativa foi o desenvolvimento de um robusto sistema operacional Linux, constantemente aperfeiçoado pelo trabalho de milhares de hackers e milhões de usuários, a tal ponto que o Linux é agora geralmente considerado um dos sistemas operacionais mais avançados do mundo, em particular para a computação baseada na Internet.
Outros Motivos
E todos os outros motivos para se migrar para o Linux partem deste confronto entre Software Livre e Software Proprietário. E a questão principal que se forma é: Nas mãos de quem você quer deixar o futuro da computação e das redes? Nas mãos de pessoas que acreditam no trabalho coletivo, no compartilhamento de idéias e informações, no amor pelo que se faz? Ou nas garras de empresas que almejam o lucro antes de qualquer resultado? Não é a toa que toda nova versão do Windows sempre é lançada cheia de bugs. Pra que gastar dinheiro em testes se as pessoas vão usar o programa do mesmo jeito? Eles que encontrem os erros para nós! Depois é só lançar uma atualização na Internet.
O que ocorre é que as pessoas estão tão presas aos padrões impostos nos softwares, que nem conseguem enxergar que existem alternativas por todos os lados. O estranho em tudo isso é que elas conseguem digerir as mudanças absurdas entre diferentes versões de software, como a mudança do Windows 3.11 para o 95, ou a do Office 2003 para 0 2007, mas acreditam que nunca vão se adaptar a um software que seja desenvolvido por outras pessoas: como se a gente soubesse quem fez o que. Essa realidade contraditória gera algo mais contraditório ainda: a pirataria de software proprietário quando existem alternativas gratuitas. O mais irônico de toda a história é que esse tipo de atitude somente fortalece as empresas que são pirateadas, ao contrário do que se imagina. Isso é o que Sérgio Amadeu (meu professor da Pós Graduação) diz em seu paper “Corsários Digitais“, de 2004. A pirataria de software somente facilita a padronização dos mesmos, pois quanto maior o número de usuários, mais forte um software se torna, fazendo com que as empresas tenham que adotar esses softwares, pagando pelos mesmos. Não se enganem, a Microsoft quer que você pirateie o Office. Só assim ela tem força o suficiente para cobrar pelos mesmos às empresas e instituições (governamentais ou não). Já deve fazer mais de um ano que a Caixa implantou o BrOffice, software livre similar ao Microsoft Office, mas, como ela não inibiu a utilização do Office, ninguém o utiliza.
Arrumando as Malas
Mas, deixando os motivos de lado, por hora, vamos ao que interessa: a migração.
O mundo do Software Livre, como dito anteriormente, envolve uma série de escolhas. E migrar para o Linux não é diferente. A primeira dela é: Que distribuição devo utilizar? Existe um texto muito interessante sobre o assunto no site br-linux.org. O texto chama-se “O que é uma distribuição de Linux” e foi escrito por Augusto Campos. O texto não indica nenhuma distribuição específica, mas ajuda bastante a esclarecer algumas dúvidas. Basicamente cada distribuição é como um time de futebol: todo mundo tem uma favorita, mesmo sem ter motivo algum. O texto do Campos também é utilizado no wiki do site brasileiro da distribuição Ubuntu, uma das mais utilizadas recentemente, e aquela que escolhi para utilizar. Então acessei o site do Ubuntu e me preparei para baixar o OS.
Um Mundo de Escolhas

Porém, as opções não terminavam por aí. Ao acessar o site do Ubuntu, me deparo com 4 versões diferentes da mesma distribuição: Ubuntu, Kubuntu, Xubuntu e Edubuntu. A primeira é o Ubuntu em
sua forma clássica, construída com GNOME. A segunda é o mesmo software, mas construído com KDE. A terceira segue a mesma linha das duas anteriores, mas com XFCE e a última é uma versão criada especificamente para escolas e educação em geral. GNOME, KDE e XFCE são diferentes “Desktop Enviroments” (Ambientes Computacionais). Eu não sei realmente dizer o que difere um do outro, por isso procurei no google e encontrei alguns artigos interessantes sobre o assunto. Um dos mais interessantes foi o Ubuntu x Kubuntu, do site meio bit, es
crito por Bruno Alves. Eu pessoalmente não sei ainda qual escolher, por isso baixei as duas e vejo na hora H o que faço. Uma outra distribuição interessante do Ubuntu é a Ubuntu Studio, que nada mais é que o Ubuntu comum, agregado de diversos outros programas livres voltados para a edição e criação de áudio e vídeo.
Verificando o Download e Fazendo Backup
Um problema que tive logo de início foi que por diversas vezes eu baixei as versões do Ubuntu, mas elas vieram corrompidas. O problema deve estar no gerenciador do downloads do Firefox que não deve ser muito recomendado para arquivos grandes e também na minha ótima conexão (speedy, tsc tsc). Então como saber se a versão que eu havia baixada era boa? A solução foi encontrada no próprio wiki do Ubuntu. Existe algo chamado MD5 dentro das ISO (imagens de CD) que é utilizado para verificar a integridade do arquivo. Então tive que baixar um programa
chamado winMD5Sum, porque o Windows não vem com nenhum programa para checar MD5 em sua instalação (ao contrário do Mac OS X e da maioria das distribuições Linux). Tudo checado, era a hora de gravar os CDs.
Outra precaução que tive que tomar foi na hora de fazer o backup dos meus arquivos. Para isso comprei um HD externo portátil de 160GB na Santa Ifigênia. Faz tempo que eu queria um, agora posso continuar a minha coleção de filmes sem ter que me preocupar com espaço.
Conservando seus CDs
Para celebrar a minha mudança, bolei uma espécie de envelope para os CD´s. Criei uma capinha pra cada uma das distribuições e as imprimi. A capinha é bem simples e pode ser impressa em papel comum, mas é mais interessante utilizar uma gramatura maior (usei 180). Depois basta colar as abas e o envelope está pronto.
E como estou
migrando para o universo do software livre, resolvi disponibilizar as capinhas para todos aqui. Coloquei até uma versão em branco para quem quiser criar suas próprias capas. Elas estão no formato .PNG, do Adobe Fireworks, e este é o arquivo que pode ser editado e alterado por todos. Coloquei também uma versão em .JPG, pra quem quiser apenas imprimir os envelopes. Infelizmente não tenho ainda uma versão criada em um programa de código aberto. Mas isso é só uma questão de tempo.
Desejem-me sorte. Logo volto com mais informações.

A Migração parte 2 - Um mês depois
Então havia chegado a hora. Eu já havia feito o backup dos meus arquivos, tinha baixado 3 versões diferentes do Ubuntu, havia postado em meu blog a primeira parte deste texto (onde relatava meus motivos para a migração) e tinha uma madrugada de sábado silênciosa inteira pela frente. No texto “How to became a hacker”, de Eric Steven Raymond, é dito que:
“Uma boa forma de molhar os dedos na água é carregar o seu sistema com algo que os fãs de Linux costumam chamar de Live CD, que é uma distribuição que roda inteiramente de um CD, sem ter que modificar seu disco rígido.”
Eu acho uma idéia interessante para aqueles que tem algum receio em efetuar a migração, mas, neste caso, pensei da mesma forma que o escritor Paulo Coelho, o autor que decidiu dispolibilizar toda sua obra para download na internet, quando escreveu as seguintes linhas em Brida:
“Estava na praia com o pai, e ele pediu para ver se a temperatura da água estava boa. Ela estava com cinco anos, e ficou contente de poder ajudar; foi até à beira da água e molhou os seus pés.
- Coloquei os pés, está fria, disse para ele.
O pai pegou-a no colo, caminhou com ela até a beira do mar, e, sem qualquer aviso, atirou-a dentro da água. Ela levou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira.
- Como está a água?, perguntou o pai.
- Está gostosa, respondeu.
- Então, daqui para a frente, quando você quiser saber alguma coisa, mergulhe nela.”
E foi pensando nisso que coloquei o DVD do Ubuntu Studio em meu laptop, reiniciei a máquina e aguardei o que viria acontecer.
A Instalação
Apesar d’eu ter dito anteriormente que eu não usaria o Live CD por opção, acrescento que isso não seria possível com o Ubuntu Studio, pois o mesmo não tem esta opção. Outra coisa que descobri foi que a instalação somente seria possível por modo texto. As outras duas versões do Ubuntu que eu baixei possuem Live CD e instalação em modo gráfico, mas eu preferi ir pelo caminho mais difícil mesmo assim, já que eu queria uma versão do Linux que me permitisse, logo de cara, a edição e criação de imagens, sons e videos.
Modo texto, sem Live CD. Confesso que fiquei assustado de início e por isso fui pesquisar no Google sobre a instalação do Ubuntu Studio e encontrei uma página muito ilustrativa sobre o assunto. Infelizmente não salvei o link, mas já adianto que não existe nenhum segredo na instalação em modo texto. Aliás, aproveito para dizer que o chamado “modo texto” não é nada além de uma instalação sem grandes recusos gráficos e sem a utilização do mouse. Quem já instalou o configurou algum programa a partir do MS-DOS vai sentir-se tranquilo com o tal do modo texto.
A instalação é muito simples e intuitiva. O medo de efetuar algum comando errado é grande de início, mas o próprio sistema de instalação nos informa quando uma informação é importante e quando pode-se escolher a opção padrão. A instalação toda demora por volta de uma hora e costuma ocorrer sem maiores problemas. Eu tive que efetuá-la duas vezes, pois o processo de instalação travou em certo momento. Existe a possibilidade disse ter acontecido por eu ter desplugado meu HD externo quando o processo já havia iniciado e o sistema reconhecido o hardware. Mas eu prefiro culpar o acaso mesmo. Não achei o problema grandioso e nem me preocupei muito. Toda a vez que instalei o Windows, algo parecido aconteceu.
Após encerrar a instalação, o sistema ejetou automaticamente o DVD e pediu minha confirmação para efetuar o reinício do sistema.
Primeiras Impressões
Enquanto o Ubuntu Studio estava sendo instalado, preparei um prato de espaguete, uma das minhas comidas favoritas. Lembrei-me então de Marjane Satrapi, que conta em sua biografia em hq (que mais tarde ganhou uma versão animada) Persépolis, de sua fase espaguete, quando esta também era uma das coisas que mais comia, devido a praticidade. Então, com o prato de espaguete em meu colo, e com a boca toda suja de molho, carreguei pela primeira vez um sistema operacional livre em um computador.
Eu já disse os motivos por ter escolhido o Ubuntu Studio no lugar das outras distribuições do Ubuntu, mas esqueci de dizer que a tela de login (Splash Screen) foi um forte requisito na hora do desempate.
Após ter efetuado o login, me deparei com um desktop muito parecido com o que eu estava acostumado a ter no windows, a única diferença era a barra posicionada na parte superior da tela. Uma das minhas primeira preocupações foi a de verificar se a internet havia sido configurada correta e automaticamente. Abri o Firefox e me deparei com uma surpresa: Firefox 3 Beta 5. Como assim, Firefox 3? Na época eu não sabia que já estava em desenvolvimento a mais nova versão do meu navegador preferido, mas os caras que compilaram a distrbuição do Ubuntu sabiam e me deram um grande presente incluíndo-a na instalação.
A internet funcionava perfeitamente, sem eu precisar configurar nada. Fui então ajeitando o Firefox, definindo meu blog como a página inicial e baixando alguns plugins do Firefox que eu costumava utilizar. Ao entrar no meu site, recebo a informação que eu precisaria baixar o plugin do Flash para poder visualizar meu site devidamente. Como o Flash é um software proprietário, ele não veio na instalação padrão, por isso dei um clique no aviso do Firefox e tentei efetuar a instalação automática, que não funcionou. Segui então as instruções que apareceram na tela e baixei o plugin manualmente do site da Adobe.
Após concluído o download, me deparo com um arquivo estranho, em uma extensão desconhecida: .tar.gz. Seguindo a intuição, cliquei duas vezes sobre o arquivo e ele abriu e me revelou uma série de arquivos dentro dele. Pelo que entendi, era uma espécie de .zip utilizada no Linux, esse tal de .tar.gz. Descompactei o arquivo e tentei executar alguma coisa, mas não tive a menor idéia do que fazer. Foi então que recorri novamente ao Google, onde descobri que teria que rodar as seguintes linhas de comando no Terminal (similar ao Prompt do MS-DOS do Windows):
$ tar -xvzf install_flash_player__9_linux.tar.gz
$ sudo ./flashplayer-installer
Honestamente, eu nem sabia como acessar o tal do Terminal, muito menos como rodar tais linhas. Mas isso tudo foi resolvido rapidamente com uma nova consulta ao Google. Aliás, como me disse diversas vezes, meu amigo Rodrigo, quando lhe perguntei sobre migrar para o Linux: “Só posso lhe dizer que o Google se tornará seu melhor amigo”. E ele estava certo. Na verdade, o Google não faz nada além de localizar as informações que procuro. Elas estarem disponíveis na web tão amplamente já é culpa de um outro fator extremamente importante e interessante no mundo do software livre: A Comunidade. Mas falarei disso um pouco mais abaixo.
Então eu consegui abrir o terminal (que fica no menu Aplicações > Acessórios > Consola) e rodei as linhas de instalação. Segui alguns passos básicos de confirmação e configuração e tudo estava pronto. Testei o novo plugin no site do Newgrounds, um dos primeiros sites no estilo Web 2.0 que eu conheci, um portal de animações em flash.
Eu fiquei satisfeito com o resultado, mas ao mesmo tempo, fiquei preocupado. Digitar linhas de comando para instalar um simples plugin era algo que eu considerava um pouco avançado para um usuário mais corriqueiro. Eu pensava muito no Alessio e em outras pessoas que eu gostaria que migrassem também, e não achei muito amigável a instalação. Dias depois, após algumas diversas outras consultas no Google e horas de vôo no Ubuntu, descubro o Synaptic, um gerenciador de pacotes que fez com que eu repensasse totalmente a minha imagem sobre a instalação de programas no Linux.
O Synaptic, ou qualquer outro gerenciador de pacotes do Linux (só a instalação padrão vem com dois), basicamente lista e permite a instalação de milhares de softwares livres disponíveis por toda a rede. Tudo o que você tem que fazer é selecionar os pacotes que deseja instalar e aguardar o sistema lhe informar que tudo está pronto para o uso. Sim, você não precisa buscar o software na internet, baixar e instalar manualmente. O sistema faz isso tudo para você de uma maneira rápida e agil. No caso do plugin do flash (que é um software proprietário), tudo o que eu havia a fazer era buscar por flash no Synaptic e selecionar flashplugin-nonfree que o sistema cuida do resto. Eu demorei um pouco para entender realmente o que isso significava. A idéia de ter todos os softwares disponíveis em um classificador era muito boa, por que ela ainda não havia sido usada no Windows? A resposta é muito simples: em um universo proprietário, os softwares não são livres nem gratuítos, portanto, não podem ser distribuidos assim livremente, sendo catalogados para download. Até existe a possibilidade de um sistema desse tipo para softwares não livres, mas ele só funcionaria com a utilização de um cartão de crédito e algo me diz que isso não seria muito popular nos dias de hoje.
Uma coisa que eu repeti diversas vezes no texto anterior, era a quantidade de opções disponíveis no universo do Software Livre. Eu estava ciente disso desde o início, mas até o momento ainda fico desclumbrado. De início, para aqueles que gostam de customização, a área de trabalho é amplamente editável, você pode mudar a localização de praticamente tudo, bem como adicionar e remover novas funcionalidades. O sistema permite você mudar a Splash Screen, o tema de cores e possui uma gama absurda de efeitos para desktop. Quem ficou deslumbrado com o Windows Aero, deve dar uma olhadinha neste vídeo aqui:
http://youtube.com/watch?v=GPH32M_U2D8
A Frustração e Alegria de Jack
Saindo um pouco da utilização do Linux para usuários corriqueiros, que no máximo utilizam o computador para navegar na internet, escrever documentos e ouvir música/filmes, vou relatar agora uma experiência com um programa chamado JACK para ilustrar um pouco sobre uma realidade do Universo do Software Livre que me chamou muito a atenção: nem tudo é tão simples assim, mas quem estiver disposto a aprender sempre resolve o problema. E os resultados sempre são maiores do que o esperado.
Qualquer usuário iniciante do Ubuntu Studio que entre no menu Produção de Áudio se assusta com a quantida de programas disponíveis. Eles são, por padrão 40, e quando me deparei com eles pela primeira vez, estava tão perdido quanto o Bill Gates na Mansão Playboy. Após uma rápida olhada, descobri que o programa que fazia o que eu queria, que era algo semelhando ao Adobe Audition, era o Ardour GTK2. Rapidamente abri o programa e me preparei para começar a utilizá-lo, quando sou informado que o Servidor JACK não estava respondendo e que isso impossibilitava a gravação de áudio. Mas que diabos era esse tal de JACK? Olhei novamente no menu e encontrei 5 programas cujo nome começava com jack. Por eliminação, o JACKControl era o mais indicado e foi ele que abri.

Não vou gastar espaço aqui descrevendo como tive dificuldades em entender o que se passava e o que devia ser feito. O JACK é basicamente um servidor que cria entradas e saídas entre o hardware e os diversos softwares utilizados no momento. Ele também garante a baixa latência do sistema, que nada mais é que a capacidade de impedir falhas em gravações devido a problemas de processamento. Configurar um sistema como esse não é algo simples não fácil para um iniciante como eu, mas sites como o Estúdio Livre e o próprio website do JACK, grande parte dos problemas de vão. O meu drama aumenta pois quando antes de migrar do Windows para o Linux, eu havia proposto para a minha banda gravar um ensaio ligando meu laptop na mesa de som do estúdio. Seria a primeira gravação da banda e eu só me lembrei de testar os softwares um dia antes da gravação, e foi aí que me deparei com o problema da configuração do JACK. Passei grande parte da noite e acordei mais cedo para resolver o problema, mas, graças aos meus esforços e o grande número de tutoriais na web, consegui configurar o JACK a tempo e fizemos a gravação. O legal foi explicar para o pessoal do estúdio que todos os programas que eu estava utilizando eram gratuítos e vê-los deslumbrados com o resultado final.
Hoje eu dia eu sou um grande fã do JACK. Apesar de um pouco temperamental, o programa me possibilita diversas coisas interesantes, como jogar ambos canais de uma gravação estéreo em uma única saída. O que permite que eu não perca nenhuma parte de uma música quando uso meu aplificador de baixo, que é mono, como minha caixa de som.
Outras Considerações
Toda minha experiência com o Ubunu Studio e Linux está bem resumida nestas linhas, mas há muitas outras experiências que tive que deixar de fora para evitar um texto ainda mais longo do que este. Ao final deste um mês, sinto-me grandemente familiarizado com o sistema e não tenho mais nenhum medo dele. Eu o considero sim, um sistema pronto para o usuário comum, mas faço algumas resalvas. Acredito que a experiência completa do Linux só pode ser vivida através da rede e da convivncia em comunidade. Uma pessoa que deseje realmente viver o Linux, deve ter no mínimo uma conexão decente de internet e conhecimentos gerais de inglês. Não que isso não seja também um pré-requisito para a utilização do Windows. Mas o Software Livre e a Internet são irmãos que nasceram dos mesmos pais e é por isso que um só funciona com o outro. Alguém pode discordar, mas, quanto você pagou para utilizar os protocolos da Web, como HTTP, IP/TCP, VOIP? Ou para desfrutar as vantagens de softwares como o Google, o Orkut e tantas outras aplicações web que usamos diariamente? Muitos não sabem, mas a maioria das páginas na web são acessadas através do servidor Apache, mais uma maravilha do Software Livre e que a Microsoft toma idéias emprestadas da Mozilla para a criação de novas versões do seu Internet Explorer.
Os pais da Internet e do Software Livre são os mesmos: os Hackers. Mas isso eu falo no próximo texto.
PS: Enquanto eu escrevia este texto, um ex-vizinho (que não sabe que saí da casa dos meus pais) me ligou perguntando se eu tinha uma cópia do Windows para empresar. Disse que não, mas lhe falei sobre o Linux e o Live CD. Devido a gente não morar mais perto, não consegui entregar o cd a ele, mas ele me pediu para conseguir uma cópia para ele. Aliás, quem quiser uma cópia do Ubuntu, do Kubuntu ou do Ubuntu Studio, é só pedir.
PPS: Conforme prometido, criei o modelo para as capinhas dos CDs em software livre. Para isso usei o Inkscape, um programa maravilhoso, para gráficos vetoriais, que não deixa em nada à desejar para seus primos capitalistas: Corel Draw e Adobe Ilustrator. O modelo pode ser baixado aqui.
A Migração - A Rede e a Cultura Hacker
Após meu mês de Ubuntu e Linux, entendi que a coisa mais importante para o Universo do Software Livre é a Comunidade que eles englobam. Essa comunidade é aquela que desenvolve, critica, debate, testa, compartilha e transforma os códigos e softwares criados por ela. A maior manifestação dessa comunidade é a Internet, pois é nela em que os códigos são mais acessíveis e a comunicação mais dinâmica e veloz, permitindo que programadores que nunca se viram trabalhem no mesmo projeto. Caso alguém trabalhe para alguma empresa, desenvolvendo Software Proprietário, tudo o que ele precisa é de uma equipe e um laboratório. No caso do Software Livre, essa equipe é formada por qualquer pessoa que contribua com o projeto e os laboratórios estão por todos os lugares, ligados pela maior rede de computadores já criada pelo homem. Nessa segunda realidade, a hierarquia não é importante e o nível de envolvimento de cada membro é decidido pelo interesse que ele tenha pelo projeto. Nos dias de hoje, a realidade dos Softwares de Código Livre é a Realidade Hacker, formada por gente que consegue, através da liberdade, feitos grandiosos.
Um dos textos mais importantes da Cultura Hacker é How to Become a Hacker, de Eric Steven Raymond. Nele, são definidas as cinco atitudes necessárias para se tornar um Hacker. Apesar que, como o próprio autor define: você não se intitula Hacker, mas os outros reconhecem um Hacker em você. As cinco atitudes que um Hacker deve ter são:
1 O Mundo é cheio de problemas fascinantes aguardando para serem resolvidos.
Isso significa que o Hacker deve ser uma pessoa que goste de desafios, que procure coisas novas para decifrar e que não tenha medo das dificuldades. O Hacker faz o que faz pelo prazer de fazê-lo, pelo conhecimento adquirido e pela satisfação de vencer os desafios.
2 Nenhum problema deve ser resolvido duas vezes.
A lógica Hacker entende que existem muitos problemas para serem resolvidos no mundo. Portanto, resolver o mesmo problema duas vezes é perda de tempo. Um Hacker ao resolver um problema, divulga a solução e os métodos utilizados. Isso leva a um processo de desenvolvimento muito mais veloz, pois não existe a necessidade de se “inventar a roda” a cada vez que ela seja necessária. Um pensamento como este faz com que os custos de desenvolvimento caiam, tornando as novas tecnologias cada vez mais acessíveis. O oposto ocorre em outras áreas da ciência, como a biologia e a farmacêutica, ambas regidas por patentes que encarecem os processos e atrasam a humanidade.
3 Tédio e trabalhos maçantes são malignos.
Aqui a Lógica Hacker é bem incisiva: trabalhar em algo que não seja interessante é mal. Uma pessoa produz muito mais quando está interessada. Lembro-me de que demorava quase meia hora para me trocar para ir visitar parentes, quando era pequeno. Mas se eu ia para algum lugar interessante, que eu queria ir, a troca de roupas demorava menos de 5 minutos. Deve-se deixar bem claro que, para o verdadeiro hacker, ações e rotinas que pareçam maçantes para pessoas comuns são encaradas com grande prazer, pois sabe-se que delas dependem o sucesso de sua empreitada. É como um fanático por carros limpando e cuidando das peças de algum automóvel.
4 Liberdade é bom.
Os Hacker amam a liberdade e detestam qualquer forma da autoritarismo. Como diz o próprio Eric Raymond:
Qualquer um com o poder de lhe dar ordens pode pará-lo de resolver qualquer problema que você esteja fascinado - e, dadas as circunstâncias que regem a mente autoritária, irá geralmente encontrar alguma razão grandemente estúpida para faz-lo. Dessa forma, o autoritarismo deve ser combatido onde quer que seja encontrado, para que ele não sufoque você e outros hackers.
5 Atitude não é substituto para competência.
Como já dito anteriormente, não adianta alguém se autodenominar hacker para sê-lo. Um hacker somente o é quando é reconhecido por outros hackers como um. E não adianta copiar a atitude hacker em todas as suas nuances se o suposto hacker não for bom em uma coisa: hackear. E isso será determinado pela qualidade das programações que ele efetua e pela contribuição que ele faz à comunidade hacker. Por detestarem o autoritarismo, a lógica hacker também abomina a hierarquia que não seja conquistada por merecimento. Um hacker é melhor e maior do que outro porque isso ele conquistou com seu próprio trabalho, nunca por influências, dinheiro ou poder.
Uma rápida pincelada na história da rede
A Internet foi criada pelas comunidades hacker, mas não apenas por elas. A ARPANET, o primeiro embrião da Internet, foi uma rede criada pela ARPA (Advanced Research Projects Agency), formada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América. O objetivo da ARPA era o “de alcançar superioridade tecnológica militar em relação à União Soviética”. (CASTELLS, 2003). Apesar disso, a ARPA era formada grandemente por professores, estudantes e integrantes do mundo acadêmico. Fundamentada na liberdade e autonomia para o desenvolvimento das pesquisas, a ARPA atingiu seu objetivo, ao contrário da União Soviética, que teve seus núcleos de pesquisa regidos pelo excesso de segurança e sigilo. Porém, o embrião surgido na ARPA desenvolveu-se, unindo-se a diversos outros estudos e protótipos, chegando ao fenômeno comunicacional que temos hoje em dia. Castells (2003) resume toda o desenvolvimento da Internet como uma grande vitória da lógica hacker contra o mundo atrasado da propriedade intelectual.
A história da criação e do desenvolvimento da Internet é a história de uma aventura humana extraordinária. Ela põe em relevo a capacidade que têm as pessoas de transcender metas institucionais, superar barreiras burocráticas e subverter valores estabelecidos no processo de inaugurar um mundo novo. Reforça também a idéia de que a cooperação e a liberdade de informação podem ser mais propícias à inovação do que a competição e os direitos de propriedade.
A Internet não teve origem no mundo dos negócios. Era uma tecnologia ousada demais, um projeto caro demais, e uma iniciativa arriscada demais para ser assumida por organizações voltadas para o lucro.
Porém, a realidade que conhecemos hoje em dia é muito diferente. A Internet torna-se cada vez mais atraente para o mundo dos negócios e o comércio pela Internet, a movimentação intensa do capital por entre as redes, começa a chamar a atenção de grandes empresas e governos que anteriormente não dariam atenção para aquela tecnologia estranha criada por nerds das faculdades norte-americanas.
A Rede sob Ataque
O Anarquismo, e os anarquistas em geral, devido sua descrença em governos e em todo sistema vigente, costuma, de tempos em tempo, criar comunidades afastadas em que podem expressar sua liberdade da forma como acreditam. Botando assim em prática sua teorias e buscando a construção de um mundo melhor. Nesta citação de Kropotkin, transcrita por George Woodcock em seu A História das Idéias e Movimentos Anarquistas - Vol 1, o anarquista é descrito com muitas das atitudes que regem o universo hacker:
“O anarquista imagina uma sociedade na qual as relações mútuas não seriam regidas por leis ou por autoridades auto-impostas ou eleitas, mas por mútua concordância de todos os seus interesses e pela soma de usos e costumes sociais - não imobilizados por leis, pela rotina ou por superstições - mas em contínuo desenvolvimento, sofrendo constantes reajustes para que pudessem satisfazer as exigências sempre crescentes e uma vida livre,estimulada pelos progressos da ciência, por novos inventos e pela evolução ininterrupta da ideais cada vez mais elevados.”
Para o anarquista, a sociedade é naturalmente livre e qualquer tentativa de controlá-la ou regrá-la é um atentado contra a própria essência da humanidade. A meu entender, o universo hacker é a maior manifestação do anarquismo vigente e a Internet e os softwares livres, a mais bem sucedida comunidade anarquista já criada. O sucesso da empreitada hacker é explicada pelo fato dos mesmos construírem sua comunidade em um terreno até então inexistente e desinteressante para os governos e entidades poderosas. Assim, a Internet pode florescer despreocupadamente, como uma borboleta escondida em seu casulo, tornando-se a maravilha que é hoje em dia. Porém, a liberdade e as possibilidades que a Internet propiciam tornaram-se tão evidentes e incômodas que o que se percebe hoje é uma série de atentados para controlá-la e regrá-la. O que vemos são as grandes empresas da indústria cultural buscando a todo momento formas de impedir o fluxo de vídeos e músicas pela rede, telecons, as empresas que detêm a estrutura física da Internet, atrasando pacotes do VoIP (a tecnologia usada em programas como o Skype), políticos aprovando leis que limitam os tráfegos e possibilidades da rede sob o falso manto da segurança, celebridades processando sites de conteúdo Web 2.0, como o YouTube, buscando preservar sua imagem, não se importando com os danos que podem causar à liberdade na rede. Por todo lugar vemos tentativas como essas, sendo a mais recente, no Brasil, a do projeto de lei (PLC) 89/03. Esse projeto, caso seja aprovado, determinará que os provedores de acesso devem arquivar toda sorte de históricos de navegação e comunicação instantânea, como MSN, Gmail e Orkut.
O projeto de lei (PLC) 89/03 é um exemplo típico da tentativa de controle das redes pelos governos. Porém, além disso, mostra a ignorância existente nas mentes controladoras que, ao tentar punir acabam tornando Como apontado por Sérgio Amadeu, em seu blog:
“Este artigo (PLC 89/03) criminaliza o uso de redes P2P e até mesmo a cópia de uma música em um i-pod. Ao escrever que o acesso a um “dispositivo de comunicação” e “sistema informatizado” sem autorização do “legítimo titular”, ele envolve absolutamente todo tipo de aparato eletrônico. Se a empresa fonográfica escreve, nas licenças das músicas que comercializa, que não admite a cópia de uma trilha de seu CD para um aparelho móvel, mesmo que seu detentor tenha pago pela licença, estará cometendo um crime PASSÍVEL DE PENA DE RECLUSÃO DE 1 A 3 ANOS.
A Internet é o que é hoje devido aos incansáveis esforços e a filosofia libertária da comunidade hacker, porém, essa realidade pode não existir por muito tempo, caso a guerra no mundo virtual seja perdida. Cabe então a todos nós nos conscientizarmos, educarmos e mobilizarmos a favor da liberdade na Internet. Esta foi a minha principal motivação para a migração para o software livre, pois somente incentivando a liberdade e o livre compartilhamento de informações é que podemos manter a Internet o que ela atualmente é. Digo que foi, pois não é mais a principal. Hoje eu apoio e incentivo todas as práticas de software-livre e comunidades hacker simplesmente porque os resultados são realmente bons e eficientes. Mas se você duvida do que digo, bem, baixe o Ubuntu, ou qualquer outra distribuição Linux. É grátis!
Referências Bibliográficas
CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Capítulo 1: Lições da história da Internet; Capítulo 2: A Cultura da Internet.)
COELHO, Paulo. Brida. Disponível no site: http://www.box.net/index.php?rm=box_download_shared_file&file_id=f_125951433&shared_name=4t2ned08c8 Acesso 30/06/2008.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu. Corsários Digitais, Estado e Monoólio de Algorítimos. Diponível no site: http://wikipos.facasper.com.br/index.php/Cors%C3%A1rios_Digitais,_Estado_e_Monop%C3%B3lio_de_Algoritmos Acesso 18/05/2008.
Projeto de Lei Aprovado em Comissão do Senado Coloca em Risco a Liberdade na Rede e Cria o Provedor Dedo-Duro. Disponível no Site: http://samadeu.blogspot.com/2008/06/gravissimo-projeto-de-lei-aprovado-em.html Acessado em 30/06/2008.
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